TOR


Hoje pela manhã, fixei o meu olhar no Tor. Aquelas pedras belas e firmes deixaram-me boquiaberto de espanto. Já tinha lido algumas histórias a respeito dele, mas nada como olhá-lo bem de frente e contemplá-lo com sentimentos de espanto.
Leyda, uma sacerdotisa de quarto crescente ainda tatuado na testa, quiçá, uma marca do ritual sagrado de algumas noites atrás, abraçou-me carinhosamente e olhou-me com uns olhos tão verdes, que decerto foram feitos de mar.
- Meu querido, há muitos muitos anos, o Tor foi destruído. Os Cristãos quiseram proibir o nosso culto. Transformaram as nossas crenças em actos demoníacos e perversos. As pedras foram vandalizadas dentro do nosso solo sagrado...
De repente, os olhos de Leyda ficaram tão transparentes, que eu pude ver neles, o grito e lamento de um povo abençoado... depois, observei um grupo de homens que vestiam hábitos clericais, caminhando com passadas de fúria, ao encontro dos habitantes de Avalon. O meu olhar estremeceu, quando um dos rostos me fez empalidecer...
Era eu... gritei... Leyda sorriu e afagou-me carinhosamente...

